Francisco no Equador: um pastor latino americano fala ao seu povo

O papa Francisco já está na Bolívia, mas vamos observar sua estadia no Equador. Em sua passagem pelo país, o argentino demonstrou seu forte laço com o povo latino-americano ao falar de forma clara e amorosa ao povo, ao fazer memória de sua história, devoções e problemas sociais. É importante lembrar que Bergoglio, como arcebispo de Buenos Aires, exerceu grande influência na Conferência Episcopal da América Latina e Caribe, em especial na condução do último encontro em Aparecida.

Com esse texto, apresento os principais momentos da primeira parte da viajem do papa, através de suas palavras. Na primeira parte do texto, trago os encontros com setores específicos da Igreja e da sociedade e no segundo momento, com maior destaque, falo sobre os encontro com todo o povo equatoriano.

Com os professores, estudantes, padres, religiosos e seminaristas

Os dois encontros mais reservados do papa Francisco aconteceram entre estudantes e com os clérigos de sua igreja. Na tarde de terça, dia 7, o papa se encontrou com os estudantes, professores, administração e funcionário da Pontifícia Universidade Católica do Equador. Já na manhã de quarta, 8, encontrou-se com bispos, padres, religiosos e seminaristas equatorianos no Santuário de Nossa Senhora do Quinche.

Na universidade, o pontífice resgatou alguns ponto de sua recente encíclica, Laudato Si. Referiu-se aos clamores de “nossa mãe terra” e reforçou o papel preponderante do ser humano na criação de Deus. “A criação é um dom para ser compartilhado. O espaço que Deus nos dá para construir conosco, para construirmos um “nós”. O mundo, a história, o tempo é o lugar onde vamos construindo esse “nós” com Deus, com os demais e com a terra.

Voltou a criticar, como em sua encíclica, o paradigma tecnocrático e, através do texto do bíblico de Caim e Abel, criticou o individualismo e a desvalorização da vida humana. “Um pobre morre de frio e de fome e não é notícia, mas se as bolsas das principais capitais do mundo baixam dois ou três pontos se arma um grande escândalo mundial. E eu me pergunto: “Onde está teu irmão?”“.

Já no encontro com as congregações religiosas e o clero local, o papa Francisco resolveu orientar suas palavras através da devoção do povo equatoriano à Nossa Senhora de Quinche. Louvor originado pelas aparições aos índios Oyacachi que motivaram Diego Robles a esculpir a santa. Mostrou conhecimento histórico e social, motivou religiosos e sacerdotes a propiciar uma cultura do encontro, expressão muito evidenciada por Bergoglio. “Nossa Senhora de Quinche foi ocasião de encontro, de comunhão, para este lugar que desde o período Inca havia construído um assentamento multiétnico. Que lindo quando a igreja preserva em seu esforço por ser casa e escola de comunhão , quando geramos isto que gosto de chamar de cultura do encontro!

O pastor acolhe e aconselha seu povo

Como é característica marcante do atual pontífice, suas palavras são diretas e falam ao coração das pessoas, até aos mais humildes. Assim como em entrevista recente ao padre Antonio Spadaro, diretor de Civilittá Católica, o papa não precisa de interlocutores ou interpretadores de suas palavras. Assim, em meio ao povo equatoriano, Francisco mostrou-se mais uma vez como um verdadeiro bispo, um pastor que cuida de suas ovelhas, que as quer próximas e que lhes acolhe e conhece. É dessa forma que Francisco se encontra, sim, ele realmente, se encontra com as pessoas como na missa pela evangelização dos povos no Parque Bicentenário, em Quito, e com a sociedade civil em frente à catedral.

Ao recordar a importância histórica na independência equatoriana e de toda América hispânica, do Parque Bicentenário, o papa clamou por maior unidade nas relações humanas e unidade pela diversidade, respeitando as diferenças, inclusive na Igreja e nas religiões. Na homilia da missa, Francisco alertou que as causas do ódio e da divisão entre as pessoas é “manifestação desse difuso individualismo“, causados pela ferida do pecado.

Criticou mais uma vez o paradigma tecnocrático e utilizou outra expressão sua muito difundida, a cultura do descarte que leva as pessoas a ignorar os mais necessitados. “E que lindo seria se todos pudessem admirar como cuidamos uns aos outros. Como mutuamente nos damos alento e como nos acompanhamos. O dom de si é que se estabelece na relação interpessoal que não se gera dando coisas, mas dando-se a si mesmo.”

No encontro com a sociedade civil, a família voltou a ser o tema principal, como na celebração em Guayaquil. A retomada do assunto sinaliza a preocupação do papa Francisco com os rumos do Sínodo dos Bispos sobre a Família, que acontecerá em outubro, no Vaticano. Mais uma vez criticou a cultura do descarte, desta vez no âmbito familiar. O pontífice defendeu a família de forma contundente classificando-a como experiência de amor e como célula da sociedade.

No evento de maior participação popular, não deixou de apontar os avanços sociais vividos nos últimos anos, mas sem esquecer das muitas dificuldades ainda encontradas na garantia de vida digna às pessoas. Apontou a migração, o consumismo, a concentração urbana, o desemprego e os bolsões de pobreza que “produzem incerteza e tensões que constituem uma ameaça a convivência social.” Por fim, o papa deixou um claro recado àqueles que criticam seu viés social e sua preocupação com os mais pobres dizendo: “Muito me perguntam “Padre, porque fala tanto dos necessitados, das pessoas necessitadas, das pessoas excluídas, das pessoas a margem do caminho?” Simplesmente porque esta realidade esta no coração do Evangelho.”

Francisco já está Bolívia e essa é a segunda parte de sua viajem. Nos próximos dias encerra sua passagem pela América Latina no Paraguai.

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