Francisco, os casais divorciados e o Sínodo da Família

Na última Catequese com o Papa, 5 de agosto, Francisco escolheu um assunto delicado sobre as famílias, especialmente para a Igreja: casais divorciados em segunda união. Disse querer tratar de “como ocupar-nos daqueles que, depois do fracasso irreversível do seu vínculo matrimonial, empreenderam uma nova união.”

A mensagem rapidamente repercutiu nos veículos de comunicação em todo o mundo, com especial destaque para o trecho de que os divorciados em segundo casamento “não estão excomungados; com efeito, estas pessoas não devem absolutamente ser tratadas como tais: elas fazem parte da Igreja.” Na catequese, Francisco demonstrou sua preocupação e ainda declarou a necessidade de “um acolhimento real para com as pessoas que vivem essas situações” para que elas “sintam a Igreja como mãe atenta a todos, sempre disposta à escuta e ao encontro.”

A declaração é considerada por especialistas como a mais direta sobre o assunto já proferida por um papa. Mas nem por isso deveria causar tanto furor, afinal, é típico de Francisco tratar de assuntos de maneira clara e direta, sejam eles dogmas da fé, questões teológicas ou assuntos cotidianos. Bergoglio se expressa com palavras simples, abusando de analogias e figuras de linguagem, em tom de conversa. Como se fosse um padre de paróquia, ou melhor, como se fosse um pai, ele se comunica com os fiéis em todo o mundo. Na realidade, podemos considerar que Francisco é o papa mais direto de toda a história da Igreja.

Outro ponto que amenizaria a repercussão da Catequese é a falta de ineditismo da posição defendida pelo atual pontífice. Utilizando citações de seus antecessores, Bento XVI e João Paulo II, Francisco reafirmou a postura pastoral da Igreja de que os casais divorciados não são excomungados, mas são, pelas regras da Igreja, apenas impedidos de tomar a comunhão. E sobre isso, o atual papa não declarou nenhuma mudança, mas pode tê-la indicado.

A catequese da última quarta pode apontar para o desejo do papa em mudar as indicações pastorais e, quem sabe, sacramentais para a situação de fiéis separados e casados novamente. A série de reflexões feitas pelo papa sobre o tema das famílias antecede a realização do Sínodo dos Bispos para a Família (marcado para outubro) e não é por acaso!

Francisco parece indicar aos bispos convocados para o encontro suas linhas de pensamento referente às diversas questões da vida das pessoas que atinge a instituição família e o sacramento do matrimônio. Não resta dúvida sobre o desejo de mudanças do bispo de Roma para toda a Igreja, entretanto as dúvidas pairam sobre qual a interpretação dos bispos e sobre os caminhos que serão tomados no Sínodo.

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