A foto mostra o mexicano Pedro Cortés e sua esposa Martiza ao centro segurando balões em vermelho e azul com o número sete onde está escrito "JMJ" e "2019". Em referência a sétima participação de Pedro em Jornadas. Ao lado deles aparecem as duas filhos do casal também segurando balões em amarelo e laranja.. Eles vestem camisas da JMJ Panamá 2019 e comemoram a oportunidade de participar do evento.

JMJ Panamá 2019: Nem tão longe de 2013

Os anos se passaram, mas ansiedade de ver o Papa Francisco e estar junto à milhares de jovens em nome de Cristo, continua a mesma.

Os corações pulsam de emoção e a juventude está com quase tudo pronto para mais uma experiência de fé. A XXXII Jornada Mundial da Juventude (JMJ) acontece este ano no Panamá, entre os dias 22 e 27 de janeiro. A organização já contabilizou  37 mil inscritos e espera, de acordo com o site Vatican News, a inscrição de mais de 160 mil participantes.

O Papa Francisco, a figura mais aguardada do evento, chegará no Panamá no dia 23 de janeiro e a ansiedade toma conta dos corações dos participantes.

A expectativa de ver o Papa é um sentimento que acompanha qualquer católico no mundo. Francisco esteve no Brasil em 2013, também para a JMJ, que aconteceu no Rio de Janeiro e contou com mais de dois milhões de participantes.

Pedro Cortés, que mora no México, aguarda com carinho a chegada da próxima jornada. Ele participou do evento em 1993 em Denver, nos Estados Unidos. Em 1997 se fez presente na edição de Paris, desta vez acompanhado da então noiva Maritza. O casal oficializou o matrimônio em 2001 e tiveram a primeira filha Lupita em 2002, que faleceu. Apesar da dor, o casal decidiu participar da JMJ de Toronto no mesmo ano, agradecendo a Deus pelo seu amor e oferecendo a Ele as suas vidas. Mais duas meninas vieram da união entre Pedro e Maritza e a família se prepara para viver esta imensa experiência de fé no Panamá.  “A cada JMJ levamos um grupo de jovens, mas esta será especial, pois levaremos as nossas filhas”, diz o mexicano.

Pedro explica que foi uma grande surpresa quando anunciaram o argentino Jorge Mario Bergoglio como o novo Papa e que seu primeiro pensamento foi nas grandes mudanças que aconteceriam na igreja. “Eu tinha certeza de que o Espírito Santo estava lá e que ele estava procurando uma nova direção para a igreja”, comenta.

A experiência de Pedro com Papas é grande. Ele viu o Papa Francisco de perto durante sua visita ao México, foi junto da esposa abençoado por João Paulo II  e quando Bento XVI também esteve no México, o papa abençoou suas filhas. Sobre Francisco, ele diz que sente prazer em saber que ele será o Papa que marcará a geração de suas filhas e elas sempre terão como modelo um Papa forte, cheio de humor e espiritualidade.

Tudo pronto no Panamá

Luiz Martinez mora no Panamá e espera a chegada de quatro jovens que ficarão hospedados em sua casa. Ele explica que as estruturas principais já estão montadas, em especial o local onde acontecerá a tradicional vigília.

Luiz diz que já esteve na presença do Papa Francisco, mas que a Jornada Mundial da Juventude é um momento especial pela oportunidade de compartilhar a sua fé com jovens de diferentes idiomas e diferentes partes do mundo.

A estudante de Engenharia Eletrônica e Telecomunicações Lissette Peña também mora no Panamá, na província de Herrera e participa da Paróquia Nuestra Neñora de La Merced na Arena, da Diocese de Chitré. Ela diz que na sua Diocese todos estão animados e que a JMJ se tornou tema de conversa em todos os espaços públicos. Lissette destaca que as pessoas estão motivadas a hospedar os jovens e que a marca da JMJ está presente em muitos produtos, como biscoitos e sucos ou adesivos nas paredes dos estabelecimentos. Apesar de ainda não conhecer o Papa, a peregrina não poderá participar de todas as atividades com Francisco por conta de suas tarefas como coordenadora de alojamento em sua Paróquia, mas fica feliz por estar trabalhando para Deus e ajudando na sua obra. “Isso me faz muito feliz, imagina conhecer o Papa, é uma grande emoção saber que você está vendo o sucessor de Pedro. É um presente para a minha vida”, diz.

Habemus Papam. E agora?

A Jornada Mundial da Juventude pode ser considerada uma das maiores experiências de fé para a juventude católica. Em 2013, estive no Rio de Janeiro. Pude ver e ouvir o Papa Francisco e desenvolver a partir daí o meu Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. Junto da professora orientadora Jane Cardozo da Silveira, conhecemos a expectativa das pessoas para os anos que estariam por vir em relação ao novo Papa, de nome de Francisco. A expectativa dos fiéis de encontrar o Papa em 2013 não difere deste 2019. Vimos que mesmo depois de anos, ou a diferença entre os países, as pessoas ainda enxergam mudança na figura de Francisco. Também ficou claro nesta parte da Grande Reportagem a ansiedade e a luta dos jovens para participar de uma JMJ.

Compartilho com vocês um dos trechos do meu TCC, inédito e, sem dúvidas, publicado no tempo certo.

No Rio de Janeiro, tão perto de casa

O avião pousou no Rio de Janeiro na tarde do dia 22 de julho de 2013, era a primeira vez de Francisco tão perto de casa. Os latinos o acolheram calorosamente, como de costume.

O Papa veio para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, que reúne a cada dois ou três anos (isso varia) jovens católicos do mundo inteiro.

“Quis Deus na sua amorosa providência que a primeira viagem internacional do meu Pontificado me consentisse voltar à amada América Latina”, disse o Papa Francisco, numa manifestação de alegria durante a cerimônia de boas vindas nos jardins do Palácio Guanabara, no dia 22 de julho de 2013.

Apesar de a temperatura ter caído naqueles dias, Jorge Mario Bergoglio sentiu o calor do Rio já na sua primeira aparição pública. Saiu do aeroporto até a Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro, num carro popular, recusou o papamóvel blindado e optou por usar as janelas abertas. Foi nesse trajeto que Fabrício Éric de Carvalho, de 19 anos, morador de São José do Rio Preto – SP, encontrou-se com o Papa pela primeira vez. Fabrício participou como voluntário na Jornada Mundial da Juventude. Ficou no Rio de Janeiro de 15 a 29 de julho e atuou na área do Festival da Juventude, que englobava toda a parte cultural da JMJ. Ele e mais alguns voluntários foram os responsáveis pela guarda de uma exposição boliviana em um museu da cidade.

“Fomos requisitados já para trabalhar na segunda feira. Nos preparamos para o cordão de isolamento, ficamos parados por algumas horas até que surgiu o papamóvel com o Papa para dar um alô aos jovens. Meu coração se encheu do Espírito Santo, fiquei muito feliz, pois era a primeira vez que iria vê-lo”, lembra.

Sair de casa sozinho e trabalhar voluntariamente em um evento que recebeu mais de três milhões de pessoas provavelmente não foi fácil para nenhum dos 60 mil voluntários. Mas a falta de conforto e a rotina cansativa não fizeram Fabrício se arrepender de ter-se inscrito.

No dia 28 de julho, último dia do evento, o Papa Francisco se reuniu com os voluntários e disse: “Não se esqueçam de nada do que vocês viveram aqui. Podem contar sempre com as minhas orações e sei que posso contar com as orações de vocês”.

Assim que Bento XVI anunciou em Madri, na Espanha, que a próxima Jornada Mundial da Juventude seria no Rio de Janeiro, Rafael Melverstet Calixto, 25 anos, morador de Palhoça, decidiu que iria participar, mesmo sem saber como.

Desde os seis anos de idade, Rafael participa da Igreja Católica. Há cinco anos, dedica-se ao Grupo de Jovens FACE – Fazendo Amigos Com Esperança. Cerca de 40 colegas dele viajaram para o Rio de Janeiro no dia 27 de julho, engrossando o número de jovens que foram apenas no fim de semana. Rafael ficou impressionado com a cidade, apesar de se assustar com o trânsito desorganizado.

“O único momento em que vimos o Papa de perto foi no domingo de manhã quando ele passou de papamóvel na calçada da praia de Copacabana. Foi um momento especial, tentamos jogar uma camisa nossa para ele. A nossa fé foi renovada nesse encontro”, conta Rafael.

Quando o grupo chegou a Copacabana, o dia já havia escurecido e não restava mais lugar para Rafael e os amigos. Na noite da vigília, de sábado para domingo, os peregrinos tomaram a faixa de areia do início de Copacabana, onde havia sido montado o palco, até o começo da praia de Ipanema. Para conseguir ver Francisco no dia seguinte, o grupo de Palhoça teve que dormir na calçada, que estava tão lotada quanto a areia da praia.

Sobre o Papa, o jovem diz vê-lo como uma pessoa querida e que busca boas palavras e boas intenções para a Igreja. Ter encontrado com ele, mesmo que rapidamente, foi uma experiência inesquecível: “Até estar lá, não tínhamos a exata noção de que existem jovens em outros países com a mesma fé que nós. O fato de três milhões de pessoas estarem reunidas naquela praia, mostra que a Igreja Católica tem força e juventude para batalhar por ela. O papa trouxe um pouco de esperança para o Brasil”, disse.

Para o voluntário Fabrício, a motivação da Jornada Mundial da Juventude deve ser mantida pelos líderes religiosos para que a Igreja possa continuar fazendo seu trabalho de evangelização e ajudando o próximo.

Francisco prefere chamar a si mesmo de Bispo de Roma e demorou a se acostumar com o prefixo Papa. Deixou claro desde o início que era contra a idolatria papal e os jovens que participaram da Jornada Mundial da Juventude foram alertados quanto a isso: “O Papa não quer que gritem seu nome”, falou o animador na praia de Copacabana: “Vamos gritar em nome de Cristo”.

Vídeo de Pedro Cortés, do México. Ele irá participar da JMJ no Panamá com sua família.
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