Bispos de todo o mundo se reúnem para encontrar respostas e soluções aos casos de pedofilia na Igreja

Encontro será de quinta (21) a domingo (24) no Vaticano

A sala do Sínodo dos Bispos, no Vaticano, será palco do histórico encontro A Proteção dos Menores na Igreja, a partir desta quinta-feira (21). O evento tratará dos escândalos de pedofilia relacionados aos padres e bispos católicos. Para o Papa Francisco, este será um momento crucial de seu pontificado no qual enfrentará um de seus grandes desafios junto com a Reforma da Cúria e as contas do Vaticano.

Na segunda-feira (18), a Santa Sé lançou a página do encontro e divulgou os detalhes sobre os participantes e a programação. O endereço eletrônico divulgará as informações oficiais do evento e permanecerá como um espaço para acompanhar seus resultados e passos futuros diante dos casos de pedofilia e abusos sexuais.

É sobre os resultados e ações futuras que repousam os questionamentos dos fiéis, da imprensa e pende o próprio futuro do Papa argentino. Muitos dos adversários de Francisco têm aproveitado os escândalos sexuais para minar a imagem e confiança do Pontífice junto aos fiéis. Esses grupos opositores vêem como um ponto fraco a ser explorado. No entanto, é consenso entre todos os grupos e vertentes que para além do encontro, será necessário agir no combate aos crimes sexuais.

O formato do encontro como assembléia de bispos (uma espécie de Sínodo) e suas preposições são encarados como parte da Reforma da Cúria. A Igreja admite o fato de abordar o tema como “doloroso e desagradável”, mas necessário. No website, o moderador do encontro, padre Federico Lombardi, escreve: “Se o problema não for confrontado em todos os seus aspectos, a Igreja continuará a encontrar uma crise atrás da outra, sua credibilidade e a de todos os sacerdotes continuará sendo gravemente ferida”.

A Proteção dos Menores na Igreja contará com 190 participantes, entre eles o Papa Francisco. Serão 114 presidentes das conferências nacionais de bispos (inclusive o cardeal Sergio da Rocha da CNBB), 14 líderes das igrejas orientais, 22 superiores gerais de congregações masculinas e femininas, além de membros da Cúria Romana, organizadores, conferencistas e convidados.

O retorno de Federico Lombardi

O jesuíta Federico Lombardi está de volta à cadeira central da Sala de Imprensa do Vaticano. Desta vez, não como diretor e porta-voz da Santa Sé, cargo que exerceu entre os anos 2008 e 2018, mas como Moderador do encontro A Proteção dos Menores na Igreja.

Hoje, o padre italiano preside a Fundação Vaticana Joseph Ratzinger (Bento XVI). No entanto, sua experiência como chefe da Sala de Imprensa será de grande valor neste momento delicado e crucial da história da Igreja e do papado de Francisco. Lombardi voltará a lidar com os questionamentos da imprensa mundial e dos vaticanistas sobre o encontro, suas discussões e deliberações.

Papel que ganha ainda mais importância depois do pedido de demissão de Greg Burke e Paloma Ovejero em dezembro de 2018. Eles haviam substituído Federico Lombardi no cargo de Porta-Voz e vice do Vaticano. De forma interina, o jornalista italiano Alessandro Gisotti cumpre a função desde janeiro deste ano.

Acompanhe a cobertura do Olhar Vaticano do evento A Proteção dos Menores na Igreja no Instagram, Facebook, Twitter e site.

Autor: Thiago Caminada

Jornalista, Mestre em Jornalismo (UFSC). Coordenador do "Olhar Vaticano". Assessor de comunicação, servidor público de carreira.

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