O papel dos jornalistas e veículos de comunicação no combate à pedofilia na Igreja

O encontro A Proteção dos Menores na Igreja trouxe um novo capítulo sobre o olhar da Igreja para com os jornalista e os meios de comunicação. A Santa Sé reconheceu no jornalismo a importância de sua prestação de serviço para a sociedade e os benefícios observados na investigação e denúncia de abusadores.

Toda a narrativa do encontro permeou valores jornalísticos como a verdade e a transparência. Exaltou práticas e técnicas de investigação e apuração. Lembrou também de reportagens marcantes na história da sociedade atual e da Igreja.

Passada uma semana do início do encontro no Vaticano, é possível destacar três momentos cruciais para as novas práticas desejadas pelo Papa Francisco em relação aos abusos e para o valor dado ao jornalismo. O primeiro é o discurso do Santo Padre para a Cúria Romana ao anteceder o encontro; o segundo é o Ponto de Reflexão 11, entregue pelo Pontífice no início do encontro; e o último é a participação da jornalista mexicana Valentina Alazraki como conferencista.

Agradecimento aos jornalistas
No tradicional discurso de Natal aos funcionários da Cúria Romana, o Papa Francisco falou sobre os abusos sexuais e a pedofilia na Igreja. Criticou as autoridades clericais que acusam os “operadores da comunicação”, em suas palavras, a enfocarem nos abusos cometidos por membros da Igreja.

“Eu, pelo contrário, gostaria de agradecer sinceramente aos operadores dos mass media que foram honestos e objetivos e que procuraram desmascarar estes lobos e dar voz às vítimas. Mesmo que se tratasse de um único caso de abuso – que de per si já constitui uma monstruosidade –, a Igreja pede que não seja silenciado mas o tragam objetivamente à luz, porque o maior escândalo nesta matéria é o de encobrir a verdade”, disse Francisco no dia 21 de dezembro de 2018.

Colaboradores dos profissionais de comunicação
Nos 21 Pontos de Reflexão distribuídos na quinta-feira (21), primeiro dia das conferências, aos 190 participantes do encontro. O “ponto” 11 fala especialmente do trabalho jornalístico. Ele pede especificamente aos bispos de todo o mundo a não impedirem o trabalho de investigação dos profissionais da notícia. Orienta: “Consolidar a colaboração com todas as pessoas de boa vontade e com os profissionais dos meios de comunicação para poder reconhecer e discernir os casos verdadeiros dos falsos, as acusações das calúnias evitando rancores e insinuações, fofocas e difamações”.

A conferência da jornalista Valentina Alazraki
A mais forte conferência do sábado (23) foi conduzida pela jornalista mexicana Valentina Alazraki. A escritora e correspondente no Vaticano do Noticieros Televisa, proferiu um forte discurso em defesa do jornalismo. Defendeu os valores da verdade e transparência. Explicou também sobre a relevância somada nos casos abusos praticados por membros da Igreja, em vista envergadura moral da instituição.

Alazraki foi dura ao lembrar o papel jornalístico de colaborador, mas também pode tornar-se inimigo daqueles que preferem acobertar. os jornalistas podem ser colaboradores, mas também inimigos. “Se vocês estão contra aqueles que cometem abusos ou os encobrem, então estamos do mesmo lado. Podemos ser aliados, não inimigos. Ajudaremos vocês a encontrar as maçãs podres e superar as resistências para afastá-las daquelas sadias. Mas se vocês não se decidirem de forma radical a ficar do lado das crianças, das mães, das famílias, da sociedade civil, vocês têm razão para ter medo de nós, porque nós jornalistas, que queremos o bem comum, seremos seus piores inimigos”.

Valentina evocou seu espaço como jornalista, mulher e mãe ao condenar os abusos como desprezíveis. Em sua fala, aconselhou os bispos a tomarem três atitudes: colocar as vítimas em primeiro plano, procurar aconselhamento e profissionalizar os serviços de comunicação.

Ainda pairam muitas dúvidas sobre a efetividade do encontro e dos próximos passos da Santa Sé e das conferências episcopais dos países. No entanto, o encontro encerrado no domingo (24) deixa um clima de maior segurança para o Papa Francisco e para a Igreja.

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