A imagem mostra os três repórteres na redação do jornal olhando para o editor. Dois estão sentados e um de pé ao lado do editor da equipe. Na imagem se vê muitos documentos, um computador e papéis sobre algumas mesas.

Resenha: Spotlight: segredos revelados, filme ganhador do Óscar

Uma reportagem paradigmática para o jornalismo e para a Igreja

Spotlight não é um filme sobre pedofilia na Igreja. É um filme sobre jornalismo. A trama mostra como se desenvolve um trabalho de apuração baseado em técnicas de investigação e entrevista jornalísticas para desvendar fatos ignorados pela sociedade e revelar uma história complexa. Os repórteres encontraram acontecimentos dispersos e, ao dar sentido a eles, perceberam um padrão e escreveram a mais importante e reveladora reportagem sobre os casos de abuso sexual na Igreja Católica.

A história retratada no filme é real. Relata não só os casos de abuso sexual de menores na Arquidiocese de Boston, nos Estados Unidos, mas também os esquemas para acobertamento dos crimes e transferência dos padres. A película dá conta da influência católica nos altos escalões da sociedade e de como o cardeal Bernard Francis Law agia para silenciar vítimas, investigadores e acusadores. Uma das cenas mais emblemáticas é quando o arcebispo recebe o novo chefe de redação do Boston Globe Marty Baron, jornal responsável pela investigação, e lhe presenteia com o Catecismo da Igreja Católica.

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O filme se passa no início dos anos 2000. Tem como pano de fundo o início da crise nos jornais impressos por conta da internet. Essa é uma das missões de Baron, o novo editor-chefe. Na primeira reunião de pauta com a equipe, o editor fala da importância do jornal para a comunidade local. É nessa mesma reunião em que se define a investigação dos casos de pedofilia pela equipe especial de reportagem do periódico, a Spotlight. A trama tem um índice de veracidade alto e os verdadeiros repórteres acompanharam de perto as gravações.

A obra é envolvente com uma boa edição e o roteiro original premiado pelo Óscar em 2016. A película levou também o prêmio principal daquele ano com a estatueta de Óscar de melhor filme. Entre os chocantes depoimentos de vítimas e sacerdotes, os conflitos dentro de uma redação de grande jornal e as pressões exercidas pela igreja e seus colaboradores, o drama documental informa, denuncia e entretém o espectador.

Além dos prêmios na Academia, Spoligth recebeu o Prêmio Pulitzer em 2003 pela reportagem publicada na edição do domingo do Boston Globe, em 6 de janeiro de 2002. Comandados pelo editor Walter Robinson, Michael Rezendes, Sacha Pfeiffer, Matt Carroll e Bem Bradlee Jr. protagonizam uma história paradigmática para o jornalismo e a Igreja Católica. É o primeiro caso de grande repercussão na mídia não só de abusos sexuais, mas de acobertamento dos casos.

A Igreja Católica, sob o comando de João Paulo II, criticou o enfoque dado à instituição e, em dezembro de 2002, transferiu o cardeal Law, arcebispo há 18 anos em Boston, para Roma. Bernard Law tornou-se em 2004, aos 72 anos, arcipreste da Basílica Santa Maria Maior, uma das principais igrejas da Diocese de Roma comandada de maneira direta pelo próprio Papa. Em Boston, o arcebispo responsável pelo acobertamento foi substituído por Séan Patrick O’Malley um franciscano que hoje é um cardeal referência na luta contra os abusos. O’Malley reconheceu os erros e conduz um brilhante trabalho de administração diocesana, em especial nas finanças abatidas pelas indenizações.

Spotlight é paradigmático para o jornalismo e para a Igreja, porque, para a profissão marca a seriedade com os assuntos de religião e, para a Igreja, é o primeiro choque no processo de abertura em relação aos abusos sexuais. Abertura que culminou na renúncia de Bento XVI, eleição de Francisco e, mais ainda, no encontro A Proteção dos Menores na Igreja. Realizado em fevereiro, o encontro reconheceu a importância do trabalho jornalístico e inaugurou uma fase de transparência contra os abusos e no trabalho de recuperação da credibilidade e imagem pública da Igreja Católica.

Mesmo para quem não se interessa por jornalismo e nem pela religião, Spolight: segredos revelados é um vencedor de Óscar e vale cada minuto de atenção.

FICHA TÉCNICA
Título: Spotlight: segredos revelados
Título original: Spotlight
Ano: 2015
Gênero: Drama biográfico
Diretor: Tom McCarthy
Roteiro: Tom McCarthy e Josh Singer
Duração: 129 minutos
Produção: First Look Media e Participant Media
Nacionalidade: Norte-americana (EUA)
Elenco: Mark Ruffalo, Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Brian d’Arcy James, Stanley Tucci, Elena Wohl, Gene Amoroso, Doug Murray, Sharon McFarlane, Jamey Sheridan, Neal Huff, Billy Crudup, Robert B. Kennedy

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