A imagem mostra contrapostas as capas da edição argentina e da edição brasileira do livro.

Resenha: O Papa Francisco: conversas com Jorge Bergoglio, de Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti

Uma entrevista com o “padre Jorge”

Resenha baseada na edição original argentina.

Existem pessoas que, mesmo ao se esforçar para o contrário, acabam em evidência diante de determinadas situações históricas e sociais. Essa é uma característica dos grandes líderes. A incomparável nobreza com que vivem e compreendem a vida, fazem com que essas pessoas sejam maiores que seus cargos e seus ideais maiores que a si mesmos. Assim é Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, personagem retratado na entrevista biográfica publicada pelos argentinos Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti.

Leia também: Resenha: Francisco: a vida e as ideias do papa latino-americano, de Andrea Tornielli

O livro intitulado no original como “O jesuíta” é fruto de uma série de entrevistas realizadas pelos autores nos anos de 2008 e 2009, com, na época, o arcebispo de Buenos Aires, cardeal Bergoglio, na cúria portenha. No início, desconfiado, como os próprios autores contam, o prelado aceitou ser entrevistado sem nenhuma objeção.

Todo o conteúdo do livro não faz nenhuma referência ao pontificado de Francisco (até porque, a edição original é anterior ao acontecimento), à exceção da Introdução assinada pelo casal de jornalistas argentinos. E esta marcação cronológica é a maior riqueza da publicação. Pois, diante de dois jornalistas respeitados e com experiência em coberturas religiosas, está alguém que tem confiança no trabalho profissional de seus entrevistadores. Mas, sobretudo, alguém que se sente em uma posição confortável para expressar de forma simples e livre sua opinião sobre questões pessoais e sociais. No livro, quem responde, não é o papa, nem mesmo o bispo, é “padre Jorge”, como gostava de ser chamado pelos fiéis e padres da Arquidiocese de Buenos Aires, mesmo depois de assumir a cátedra da capital e se tornar cardeal.

Através dos relatos pessoais sobre sua vida e das opiniões de Jorge Bergoglio sobre a Igreja e a sociedade atual, pode-se compreender melhor seu pontificado. Ao longo dos capítulos, e após as primeiras entrevistas de caráter mais biográfico, o futuro papa vai explicando sua devoção, seu modo de trabalhar, sua espiritualidade e a maneira como observa e sente a Igreja. Expressões muito utilizadas por Francisco, especialmente nas homilias da Casa Santa Marta, como “misericórdia”, “sentir-se pecador”, “ir ao encontro dos necessitados”, “cultura do encontro” e “facilitar a fé” permeiam toda a obra.

É deste livro a célebre frase: “prefiro mil vezes uma Igreja acidentada, a uma Igreja enferma”. Ao longo das conversas, é interessante perceber também sua forma característica de responder aos jornalistas e explicar suas colocações. Bergoglio utiliza com frequência figuras de linguagem, pequenas histórias e anedotas para ilustrar sua fala, o que muitas vezes, na atual posição de pontífice, o leva ser mal interpretado.

A edição original argentina (utilizada para a resenha) traz ainda dois anexos. No meio do livro, destacam-se oito páginas em forma de encarte com 14 fotografias. As fotos reúnem desde retratos dos avós e da família do papa até fotos do trabalho como arcebispo de Buenos Aires. Ao final, um anexo contendo na íntegra uma mensagem de Bergoglio às comunidades educativas de Buenos Aires pela Páscoa de 2002. A reflexão do arcebispo se baseia na clássica obra da literatura argentina “Martín Fierro”, de José Hernández, e expunham de forma contundente sua visão sobre a Argentina, seu povo, sua nacionalidade, os acontecimentos recentes e as projeções para um futuro melhor.

Seja em qualquer língua, ou título (“O jesuíta: a história de Francisco, o papa argentino” ou mesmo “Papa Francisco: conversas com Jorge Bergoglio”) o livro é uma boa leitura para conhecer e compreender a figura do papa, não a partir do papa ou do que se conta e conhece sobre ele, mas a partir de si próprio: o padre Jorge.

FICHA TÉCNICA
Título: El Jesuita: la historia de Francisco, el papa argentino
Título da edição brasileira: O Papa Francisco: conversas com Jorge Bergoglio
Tradução para a versão brasileira: Sandra Martha Dolinsky
Autores: Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti
Editora: Vergara
Ano: 2010 (1ª Edição; 1ª Reimpressão)
Páginas: 194

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