A foto mostra o papa Francisco em primeiro plano caminhando com o olhar para baixo. Em segundo plano, desfocada, está uma estátua da praça São Pedro.

Reforma da Cúria se aproxima e grupos conservadores contra-atacam

Dada como certa, a Reforma da Cúria Romana proposta pelo Papa Francisco causa temor na estrutura interna do Vaticano e grupos tradicionalistas e conservadores se armam contra o reformador em quanto ainda há tempo. A tentativa, talvez, é de protelar as mudanças ou descreditá-las. O fato é que não há como barrar o curso de um rio com sua nascente nas congregações anteriores ao Conclave que elegeu Bergoglio. Assim também, não parece possível que os maiores defensores da infalibilidade papal nos tempos de Bento XVI consigam agora desacreditar um papa forte. As atitudes dos opositores parecem choro de crianças mimadas.

Desde seus primeiros dias de Pontificado, Francisco trabalha nesta reforma. Seus gestos, a compreensão de seu serviço na Igreja, perante Cristo e a humanidade incomoda algumas pessoas.

Como disse o arcebispo de Florianópolis Dom Wilson Jönck, em entrevista exclusiva ao Olhar Vaticano, o Pontífice “começou a atacar alguns abusos que existiam. Aí entra a própria Cúria Romana que tinha um modo de ser baseado na grandiosidade e que não se discutia e aquilo funcionava, segundo ele, como um privilégio com abusos. Começou a pisar no calo de algumas pessoas e, quando tocou em pessoas, houve o grito. É um pouco do que está acontecendo”.

E agora, nas vésperas desta reforma, o grito se dá ainda mais forte. Fontes ligadas ao Papa e ao Conselho de Cardeais, hoje C6, indicam sobre a publicação da Constituição Apostólica Praedicate Evangelium (Pregar o Evangelho). A data seria 29 de junho, Festa de São Pedro e São Paulo, as Colunas da Igreja. Na quinta-feira (02), o Olhar Vaticano publica um novo texto com mais detalhes sobre a proposta de reforma do Papa Francisco.

A oposição das reformas e de Francisco
Em excursão pela Europa para alavancar e prestar consultoria às campanhas de Direita, Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, é um dos maiores opositores públicos do Papa. É o americano quem aconselha o ministro do Interior da Itália Matteo Salvini a criticar publicamente o Pontífice Romano. Os motivos são as declarações públicas de Francisco em favor das migrações, refugiados e uma postura afeita aos direitos humanos. É o que escreveu a jornalista brasileira Lúcia Müzell ao RFI Brasil, no texto “Esquerdista”, papa Francisco se torna inimigo da extrema direita ocidental.

Os dois direitistas tem um apoio de peso. O cardeal americano Raymond Burke, maior opositor de Bergoglio desde sua ascensão à Cátedra de Pedro. O purpurado tradicionalista é um dos signatários da Dúbia, uma carta apócrifa intitulada como correção filial a Francisco pelas tentativas de conceder a comunhão aos recasados.

Segundo o editorial do jornal National Catholic Reporter, a estratégia usada pelo grupo é acusar o Papa argentino de incompetente na condução dos casos de abusos sexuais para abalar a unidade na Igreja. Os críticos querem preservar o patrimônio da instituição, enquanto Francisco preocupa-se com as vítimas. Além disso, o Papa incomoda ao criticar o capitalismo, a fabricação de armas e os conflitos bélicos. Isso sem falar nas investidas de moralizar o Instituto para as Ordens Religiosas (IOR), o Banco do Vaticano.

Outro opositor de Francisco é o cardeal Gerhard Müller. Demitido pelo argentino da função de Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé, até agora a mais poderosa instituição da Cúria Romana. O alemão não poupa as palavras ao tratar do atual Bispo de Roma. Além de assinar a Dúbia, Müller escreveu um manifesto teológico em frontal oposição à doutrina de Francisco.

O que parece estar por trás de tudo isso são os privilégios e comodidades de alguns poderosos dentro e fora da Igreja. Também em entrevista exclusiva ao Olhar Vaticano, a ser publicada em maio, Dom Rafael Biernaski, bispo de Blumenau e membro da Cúria Romana por 15 anos, comentou sobre os entraves ao serviço dos dicastérios por culpa das vaidades individuais.

Aos progressistas resta apenas suportar, esperar e dar apoio ao novo modelo curial. Em seu sétimo ano, depois de quase desgastar a esperança de cardeais e teólogos, Francisco deixará sua marca de reformador na história da Igreja.

Nesta semana o Olhar Vaticano tratará da Reforma da Cúria. Não deixe de nos acompanhar pelo InstagramFacebookTwitter e site.

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