Como será a Reforma da Cúria do Papa Francisco?

Constituição Apostólica Praedicate Evangelium (Proclamar o Evangelho) deverá ser o título do documento para a Reforma da Cúria Romana assinado pelo Papa Francisco. Com expectativa de assinatura para 29 de junho deste ano, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o texto abalará as estruturas dos organismos do Vaticano.

Praedicate Evangelium substituirá a Pastor Bonus, publicada por São João Paulo II, em 28 de junho de 1988. Trinta anos depois, Francisco promete aproximar a Cátedra de Pedro e seus organismos de condução da Igreja aos ideais missionários e carismáticos de Paulo, o Apóstolo das Nações. Mesmo sem confirmação, as mudanças previstas incomodam grupos poderosos. Leia: Reforma da Cúria se aproxima e grupos conservadores contra-atacam

A Reforma de Francisco
Em novembro de 2018, o jornalista Robert Mickens da La Croix International, escreveu que a Cúria vive “uma calmaria antes da tempestade”. Para algumas figuras dos dicastérios romanos a reforma cairá como um dilúvio a inundar velhas práticas e na arca de Francisco poucos restarão.

A antiga e poderosa Congregação da Doutrina da Fé perderá sua primazia perante as demais, como já acontece na prática. Ela dará lugar a um superorganismo voltado à evangelização. O órgão censor de influências medievais da Inquisição (originado em 1542) dará lugar a uma estrutura preocupada com a Igreja em saída de Francisco.

“Toda a força da constituição põe a evangelização no centro da missão da Cúria Romana, o que significa que todo aspecto do serviço civil do catolicismo deve fluir a partir disso”, escreveu Christopher Lamb, para o The Tablet. O jornalista americano diz que o Papa “propõe um abalo radical” na estrutura administrativa da Igreja.

Com o enfraquecimento de congregações reguladoras e a imposição do limite de cinco anos de serviços na Cúria para todos os clérigos, o Pontífice reforça o compromisso de descentralização, sinodalidade e colegialidade episcopal. O Santo Padre faz madurar os frutos do Concílio Vaticano II.

Ao colocar em prática sua reforma, gestada ao longo de seu pontificado e baseada na escuta dos cardeais, Francisco não é um governante prestes a usufruir dos benefícios de sua reforma administrativa. Com 82 anos de idade, o argentino se coloca como líder responsável por enfrentar pessoas e instituições com mudanças necessárias e profundas.

Base da reforma iniciou em 2013 e dá pistas para a Constituição Apostólica
Para muitos, a reforma de Francisco inicio na sacada da Basílica São Pedro, em 13 de março de 2013, ao aparecer à multidão com seus sapatos pretos, sem a tradicional mozeta de veludo vermelho e ao pedir que rezassem por ele. As mudanças são também o desejo expressado pelos cardeais nas congregações que anteciparam o Conclave do qual Bergoglio saiu eleito. Como salientou Dom Wilson Jönck, em entrevista exclusiva para o Olhar Vaticano, a Reforma do Papa Francisco não é só da Cúria Romana, mas de toda Igreja.

Nos primeiros meses de pontificado, o argentino se concentrou nos problemas financeiros do Banco do Vaticano. Em junho de 2013, criou a Pontifícia Comissão Referente sobre o Instituto para as Obras de Religião (IOR) para cuidar das contas da instituição. Em julho, regula a jurisdição dos órgãos judiciais do Vaticano. Ainda em setembro de seu primeiro ano como Papa, cria o Conselho de Cardeais, órgão consultivo e gestacional da reforma.

Em junho de 2015 cria a Secretaria para a Comunicação e o Comitê de Segurança Financeira da Santa Sé. Em 2016, vai atacar os abusos sexuais com um documento de alerta aos bispos pelos descasos cometidos. E em agosto de 2017, nasce o Dicastério para o Serviço ao Desenvolvimento Humano Integral.

Além dos dicastérios criados e reformulados, outro esforço oficial de Francisco recebe atenção. A promoção dos sínodos da Família, em 2015, dos Jovens, em 2018, e da realização do próximo sobre a Amazônia ainda este ano.

Nesta semana o Olhar Vaticano trata da Reforma da Cúria. Não deixe de nos acompanhar pelo InstagramFacebookTwitter e site.

Autor: Thiago Caminada

Jornalista, Mestre em Jornalismo (UFSC). Coordenador do "Olhar Vaticano". Assessor de comunicação, servidor público de carreira.

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