A foto mostra o papa Francisco de costas, sentado à mesa com sete cardeiais. A mesa é verde em forma de "U" e sobre ela estão pastas, papéis e documentos.

C6, C8 ou C9: conheça o Conselho de Cardeais consultor na Reforma da Cúria de Francisco

Criado pelo Papa Francisco em 30 de setembro de 2013, no sétimo mês de seu pontificado, o Conselho de Cardeais recebeu curiosa atenção pelo seu ineditismo ao se tornar uma instância consultiva e, talvez, administrativa em paralelo ao Colégio Cardinalício e à Cúria Romana. Com a sua primeira reunião, entre os dias 1º e 3 de outubro do mesmo ano, o Papa argentino criava um grupo seleto de cardeais com status diferenciado. Ainda em 2013, os cardeais se encontrariam para a segunda reunião entre os dias 3 e 5 de dezembro.

Em cinco anos e oito meses, o Conselho de Cardeais do Papa Francisco se reuniu 29 vezes. Com uma média de um encontra a cada 2,3 meses, o seleto grupo contou com nove integrantes em grande parte do processo, entre os anos de 2014 e 2018, e agora está com seis membros. O último encontro aconteceu entre os dias 8 e 10 de abril de 2019. A última reunião tratou da reforma da Cúria e da proteção dos menores na Igreja. A Constituição Apostólica construída no conselho será enviada para os dicastérios romanos, universidades pontifícias, conselho de superiores gerais, conferências episcopais e sínodos para última consulta antes de sua publicação.

Antes mesmo de ser publicada, a reforma movimenta membros do clero e grupos conservadores na tentativa de freá-la. Leia: Reforma da Cúria se aproxima e grupos conservadores contra-atacam. Com o título provisório de Praedicate Evangelium, a nova constituição promete tornar a Cúria Romana um instrumento para a evangelização ao diminuir seus poderes e apostar na colegialidade dos bispos. Leia: Como será a Reforma da Cúria do Papa Francisco?

Na última reunião, os cardeais manifestaram apoio ao Papa Francisco e indicaram sobre a continuidade dos trabalhos na implantação e sustentação das reformas. Por ser um grupo distinto e de importância singular no pontificado de Bergoglio, vamos apresentar os nove cardeais integrantes desse processo.

Os nove cardeais membros do Conselho de Francisco

O presidente do conselho de cardeais é Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga (70 anos). Padre salesiano foi apontado como Arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, em 1993 e como em 2001 por São João Paulo II.

Último cardeal a integrar o grupo em 2014, o secretário de Estado do Vaticano Pietro Parolin (63) chegou ao cargo máximo da política externa da Igreja em 2013. Francisco nomeou o bispo italiano para o dicastério, cardeal e membro do conselho.

Giuseppe Bertello (76) é presidente do Governo do Estado do Vaticano. Um diplomata com larga experiência como Núncio Apostólico em sete países, se tornou membro da administração vaticana no final do pontificado de Bento XVI e permanece até hoje.

O progressista arcebispo de Munique Reinhard Marx (65) chegou ao comando de sua diocese e foi escolhido como cardeal por seu compatriota Joseph Ratzinger.

Arcebispo de Mumbai, Oswald Gracias (74) é cardeal desde 2008. O indiano também é escolhido para os cargos por Bento XVI e é o único representante do continente asiático no conselho.

O arcebispo de Boston, Sean Patrick O’Malley é uma das figuras mais importantes na condução dos casos de abusos de menores na Igreja. O norte-americano foi escolhido ainda por São João Paulo II para conduzir a arquidiocese depois dos escândalos retratados pelo jornal Boston Globe.

Dentre os dispensados no fim do ano passado está Laurent Monsengwo Pasinya (79). Única representante do continente africano, o arcebispo emérito de Kinshasa, na República Democrática do Congo, foi o único purpurado que saiu do grupo sem aparente justificativa.

O caso do George Pell (77) é o mais grave na história recente da igreja. Ele foi condenado na Austrália, sua terra natal, por pedofilia. O cardeal foi arcebispo de Sidnei e exercia a função de Secretário de Finanças do Vaticano. Hoje, cumpre pena domiciliar de seis anos de prisão.

Já o cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa (85) também foi acusado de pedofilia, mas foi absolvido no Chile. Ordenado pelo movimento dos padres de Schönstatt, Errázuriz foi arcebispo de Santiago entre 1998 e 2010.

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