A foto mostra mães idosas da Praça de Maio, em Buenos Aires, no último protesto na Argentina.

Pode me Chamar de Francisco: Mães da Praça de Maio

Os primeiros passos da Associação Mães da Praça de Maio (Madres de Plaza de Mayo) são retratadas na série Pode me Chamar de Francisco quando a ex-chefe e amiga de Bergoglio Esther Ballestrino perde sua filha Ana María Careaga. A química passa a se encontrar com mães vítimas da Ditadura Argentina. Esses primeiros encontros são o embrião da famosa organização de 42 anos de lutas.

A série original Netflix mostra, além do desaparecimento de Ana María, grávida de três meses, em em junho de 1977, o forte reencontro com a mãe em outubro do mesmo ano. A obra retrata ainda o trabalho do infiltrado tenente da Marinha Alfredo Astiz ao prender um grupo de senhoras na porta da igreja de Santa Cruz, entre elas Esther, e torturá-las, e mata-las. Por fim, ainda aparece depois de muitos anos, o bispo Bergoglio obrigado a assistir pela televisão o enterro do corpo reconhecido de Esther na igreja onde foi raptada, porque a Igreja foi fortemente criticada pela postura durante a Ditadura Militar na Argentina.

Todas as quintas-feiras, às 15h30, as mães de desaparecidos vítimas da Ditadura marcham pela Praça de Maio, em Buenos Aires. O espaço é conhecido pelas manifestações, protestos e greves. Ao seu redor se situam a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, igreja do arcebispo primaz da Argentina e de Buenos Aires – cargo ocupado pelo Papa Francisco por 15 anos – e a Casa Rosada, sede da Presidência da Argentina. Quem visita a capital consegue perceber que as barricadas utilizadas para separar a população da sede do executivo argentino nunca é retirada do local devido aos constantes movimentos.

As Mães da Praça de Maio carregam em suas cabeças lenços brancos com o nome de seus filhos desaparecidos bordados. O movimento pacífico teve de enfrentar a resistência militar nos anos ditatoriais com prisões, raptos, torturas, mortes e violência na praça da capital. A associação enfrentou inclusive resistência da Igreja Católica argentina que, durante muitos anos, se calou sobre as atrocidades do regime do general Videla. Há muitos grupos que ainda acusam o próprio Papa Francisco de ter sido conivente, mesmo hoje depois da revelações da sua participação em proteger perseguidos e torturados.

Em recente livro sobre a Ave Maria, o Papa Francisco abordou “a experiência terrível” de uma mãe que teve seu filho arrancado de seus braços, de sua convivência. O Pontífice fala de ineficácia das palavras para aplacar a dor dessas mulheres. A Associação permanece ativa e recebeu diversos reconhecimentos internacionais, inclusive da ONU (2003) e Unesco (1999).


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