Sínodo Pan-Amazônico é o novo desafio de Francisco para a condução da Igreja

Grupos opositores do Papa vêem uma nova chance de enfraquecer sua imagem

Dono de grande carisma, o Papa Francisco parece passar pela sua primeira crise de imagem popular. O Sínodo Pan-Amazônico atrai a atenção dos católicos sobre o tema e deixa o Pontífice em maus lençóis. Instigados pelas redes sociais que levaram Bolsonaro ao Palácio do Planalto, os fiéis brasileiros passaram a enxergar o encontro sinodal como um evento político. É inegável que as críticas pontuais vindas de dentro da própria Igreja dos mesmos questionadores do Papa foram publicadas, mas esta é a primeira vez que o assunto ultrapassa a barreira intelectual e teológica e chega aos bancos das igrejas. Um fato inédito como já tratado no texto Reforma da Cúria se aproxima e grupos conservadores contra-atacam.

O que alegam os críticos?
Para além das surreais acusações de que Bergoglio é comunista, de esquerda ou anti-Cristo, o Papa Francisco é acusado de colocar em risco a unidade da Igreja e distorcer questões teológicas fundamentais. A possibilidade de casamento para os sacerdotes e a valorização da cultura regional são os pontos mais criticados.

Opositores públicos desde o Sínodo da Família, realizado em outubro de 2018, os cardeais Müller e Burke saíram logo com declarações incisivas contra o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho – documento que guiará as discussões). Gerhard Müller chama o texto de redundante e se preocupa com as expressões ligadas à cultura local. Já Burke focou na possibilidade de casamento para os sacerdotes e alegou o fim da unidade e universalidade da Igreja. Mais uma vez, os denunciadores apelam ao cisma, uma separação da Igreja de Roma. Ou da Igreja de Francisco.

As preocupações do Sínodo
O Sínodo Pan-Amazônico trata de uma região de 7,8 milhões de km², em território no Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Além de se preocupar com mais de 30 milhões de habitantes, dos quais 3 milhões são indígenas de 390 grupos, o reunião sinodal se preocupa com a Casa Comum e todos os seres vivos na região.

Com foco na evangelização e em melhor atender uma região de grande importância, o Sínodo também irá tratar do cuidado com a natureza e suas violações; os problemas indígenas; a violência e o narcotráfico; e a influência de conglomerados de grande poder financeiro. E este é o ponto que fez ultrapassar a barreira intelectual e teológicas das discussões.

Grandes grupos financeiros estão preocupados com a atenção dada pela Igreja à região amazônica. Uma preocupação cristã e evangélica, mas como disse Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages, em sua entrevista exclusiva ao Olhar Vaticano, ” a evangelização não é feita para anjos”. Isso quer dizer que a Igreja se preocupa com os problemas do povo.

O próprio governo brasileiro manifesta posição contrária ao Sínodo e considera a Igreja no Brasil uma opositora de seu governo. Depois da repercussão negativa em todo o mundo das queimadas na Amazônia, o medo instaurado em Brasília é que visibilidade do encontro piore ainda mais a imagem internacional do Brasil.

Sínodo Pan-Amazônico
O Sínodo acontecerá entre os dias 6 e 27 de outubro no Vaticano. O encontro será um dos momentos de retomar as palavras do Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si (Louvado Seja). Enquanto os olhos do mundo inteiro se voltam para a sala de encontros sinodais e as críticas ecoam dentro e fora dos muros da Santa Sé, Francisco conduzirá o Sínodo ao seu estilo: com firmeza, mas aberto à colegialidade episcopal do Vaticano II. Ao contrário do que se cobrava no encontro sobre A Proteção dos Menores na Igreja, muitos agora esperam que este não seja tão proveitoso e efetivo.


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