O papa Francisco saúda uma indígena em sua visita ao Peru. O papa sorri enquanto a índia fala com cocar na cabeça.

O Sínodo e a evangelização podem interferir na preservação da Amazônia?

O Sínodo Pan-Amazônico reunirá cardeais, bispos, padres e especialistas de todo o mundo para discutir a atuação da Igreja Católica na região da maior floresta tropical do mundo. O encontro convocado pelo Papa Francisco acontecerá no Vaticano entre os dias 6 e 27 de outubro e recebe a atenção da imprensa internacional, de políticos, prelados e fiéis.

Em toda a Igreja há um momento de atenção, como em todos os Sínodos, pois serão debatidas questões sobre a evangelização em uma das áreas mais conflituosas e delicadas do mundo. Os opositores do Francisco, vêem esse momento como mais uma brecha para tecerem suas críticas. No Brasil, políticos, partidos e suas redes se posicionam no ataque ao papa e ao cardeal Cláudio Hummes para desacreditarem e ferirem a unidade na Igreja. O dualismo esquerda x direita entrou pela porta lateral das igrejas e divide os fiéis.

De fato, os interessados em explorar a floresta Amazônica, seja qualquer tipo de exploração para ganhos capitalistas, estão temerosos com a possibilidade de uma evangelização mais forte e comprometida na região. Além do Sínodo Pan-Amazônico atrair a atenção da imprensa internacional e da Igreja Universal, com a participação de mais de 250 pessoas, desde cardeais da Cúria Romana, até os bispos que atendem na floresta e leigos especialistas. O reforço eclesial no atendimento dos fiéis na Amazônia se torna um aliado na preservação da floresta e todos os seres vivos que habitam nela.

Basta lembrar o caso da irmã Dorothy Stang, consagrada na Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, nascida nos Estados Unidos e naturalizada brasileira. Reconhecida como uma defensora da evangelização, foi morta aos 73 anos por fazendeiros no Pará, onde trabalhava. Irmã Dorothy era considerada uma inimiga daqueles que queriam aumentar suas fazendas para criação de gado e latifúndios. Foi morta em uma emboscada com sete tiros. Antes do assassinatos, diante de seu algoz, levantou a bíblia, disse “eis minha arma” e começou a ler o evangelho.

O mesmo fim teve Chico Mendes, símbolo da resistência do povo amazônico contra a exploração da floresta. O líder seringueiro articulou muitas lideranças e contou com a ajuda da Igreja por meio das pastorais e movimentos organizados em sua terra. Chico foi assassinado em sua casa em 1988.

A preocupação de muitos opositores do Sínodo é esta: que uma evangelização certeira e comprometida com o povo e a Igreja suscite novas irmãs Dorothy e novos Chicos. Que o compromisso com Deus, acabe abrindo os olhos do povo para o cuidado com a Criação, a Casa Comum. Por isso, o Sínodo Pan-Amazônico é tão importante para a Igreja, para a região e para o mundo. Assim como em muitas áreas da sociedade, como nas escolas, hospitais e orfanatos, a Igreja Católica pode e tem a obrigação de fazer pelo bem das pessoas também na floresta Amazônica.


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Comentários

6 comentários em “O Sínodo e a evangelização podem interferir na preservação da Amazônia?”
  1. Luiz disse:

    Sinto haver muita superficialidade nesta análise. Os “do contra” o Sínodo temem é a face política absoluta deste evento. O problema da Amazônia para a Igreja é a diminuição de fiéis. A Amazônia é uma área onde a Igreja perdeu espaço e a evangelização está muito aquém, isto, segundo os bispos da região, que aliás, se mostraram contrários ao cunho meramente político social que está sendo dado ao Sínodo. Eles como os principais pastores sabem qual realmente é o problema da Amazônia em relação à Igreja e nada tem a ver com preservação e exploração de recursos naturais. Os interessados em explorar economicamente a região amazônica vêem nesse entendimento dos bispos um aliado, pois a sadia religião é amiga do desenvolvimento e progresso. Então, a preocupação dos opositores ao Sínodo é devida à curva acentuada que está sendo feita sobre o tema, que deixa a Evangelização para segundo plano ou mera cortina de fumaça.

    Sinto também o mau uso de figuras lendárias, como Chico Mendes. Ele jamais se preocupou com a preservaçaõ da Amazônia. Foi tragado pela militância ambientalista para uma ideologia que não era a sua. Ele era explorador da Amazônia e queria salvaguardar sua atividade e de seus colegas de profissão.

    No mais, a questão amazônica independe da polarização direita X esquerda. Há defensores ferrenhos do desenvolvimento da região tanto na direita como na esquerda política. A questão é mais patriótica e quando a soberania brasileira é colocada em risco, não há interesse ideológico que pese mais que o amor à Pátria. Até mesmo Lula defendeu a exploração da região. Mesmo um ministro do PCdoB colocou por terra interesses escusos de uma agenda globalista para a região, que muito acima estava dos interesses defendidos antagonicamente pela direita e esquerda, e por conta disso foi expulso do partido.

    Tudo o que se cobiça em relação à amzônica agradece à superficial visão de que se trata de uma guerra entre direitistas e esquerdistas.

    Curtido por 1 pessoa

    1. A análise observa um extrato bem pequeno de uma realidade complexa. No entanto, assim como os bispos que entrevistamos e as fontes que consultamos, não acreditamos no viés político do Sínodo. Não existe a possibilidade negar as responsabilidades políticas das ações da Igreja e do Papa como um todo. Só que ao invés de insistir em um debate já desgastado, abordamos outro visão, outro olhar.

      Concordo com a preocupação dos bispos e também sinto que muitas questões foram negligenciadas no Instrumento de Trabalho, mas acredito no Sínodo. Acredito no poder da colegialidade episcopal e espero que todas as situações sejam abordadas com atenção.

      Sobre o Chico Mendes é fato que ele era um líder trabalhador preocupado com sua classe, mas ele foi reconhecido, inclusive na ONU enquanto vivo, como defensor da floresta. Não é um santo, mas é um nome reconhecido como defensor da floresta.

      O que está por trás da preocupação de grandes grupos e do governo não são as decisões que serão tomadas, mas a visibilidade que o encontro dará ao tema. Para todos os interessados na exploração da Amazônia, o silêncio é benéfico, porque muito se poder fazer nas escuras.

      Agradeço a contribuição e conto com a participação para debater.

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  2. Luiz Pereira disse:

    Deixei um comentário aqui nesta postagem, no dia 04/10/2019, após ouvir o autor comentando na rádio Univali. Espero que o ato de deletar o comentário tenha sido involuntário, pois nada havia de agressivo, apenas contraditório. Em tempos que uma certa ala da Igreja e da sociedade clama e bradam a todo tempo por respeito à diversidade, é esperada a coerência com o discurso e deixar que pensamentos opostos sejam dados. Vou postar novamente:

    “Sinto haver muita superficialidade nesta análise. Os “do contra” o Sínodo temem é a face política absoluta deste evento. O problema da Amazônia para a Igreja é a diminuição de fiéis. A Amazônia é uma área onde a Igreja perdeu espaço e a evangelização está muito aquém, isto, segundo os bispos da região, que aliás, se mostraram contrários ao cunho meramente político social que está sendo dado ao Sínodo. Eles como os principais pastores sabem qual realmente é o problema da Amazônia em relação à Igreja e nada tem a ver com preservação e exploração de recursos naturais. Os interessados em explorar economicamente a região amazônica vêem nesse entendimento dos bispos um aliado, pois a sadia religião é amiga do desenvolvimento e progresso. Então, a preocupação dos opositores ao Sínodo é devida à curva acentuada que está sendo feita sobre o tema, que deixa a Evangelização para segundo plano ou mera cortina de fumaça.

    Sinto também o mau uso de figuras lendárias, como Chico Mendes. Ele jamais se preocupou com a preservaçaõ da Amazônia. Foi tragado pela militância ambientalista para uma ideologia que não era a sua. Ele era explorador da Amazônia e queria salvaguardar sua atividade e de seus colegas de profissão.

    No mais, a questão amazônica independe da polarização direita X esquerda. Há defensores ferrenhos do desenvolvimento da região tanto na direita como na esquerda política. A questão é mais patriótica e quando a soberania brasileira é colocada em risco, não há interesse ideológico que pese mais que o amor à Pátria. Até mesmo Lula defendeu a exploração da região. Mesmo um ministro do PCdoB colocou por terra interesses escusos de uma agenda globalista para a região, que muito acima estava dos interesses defendidos antagonicamente pela direita e esquerda, e por conta disso foi expulso do partido.

    Tudo o que se cobiça em relação à amzônica agradece à superficial visão de que se trata de uma guerra entre direitistas e esquerdistas.”

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    1. Olá, Luiz! Estive em viagem e não tive tempo de aprovar e nem de lhe responder. Já vou aprová-lo.

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