A foto mostra a sala sinodal no Vaticano. No primeiro plano um índio com cocar e ao fundo o Papa Francisco.

Principais pontos do Documento Final do Sínodo da Amazônia

Em meio a todas polêmicas e movimentos de apoio e protestos, o Sínodo Pan-Amazônico chegou ao fim em 27 de outubro, no Vaticano. O encontro reuniu cardeais, bispos, padres, religiosos, religiosas e especialistas com o Papa Francisco para debaterem sobre a atuação da Igreja Católica na região. O Documento Final do Sínodo da Amazônia confirmou diversas ideias levantadas pela Instrumento de Trabalho. Entre elas se destaca a possibilidade de um novo ministério para celebrar a eucaristia e da criação de um rito amazônico; o protagonismo feminino; e os esforços de ecumenismo e diálogo interreligioso.

Veja abaixo os principais pontos do texto:

O documento de conclusão do Sínodo inicia com a afirmação de um “intercâmbio aberto, livre e respeitoso”. Uma clara contraposição ao clima tenso que envolveu o encontro na mídia e fora da sala sinodal. O texto faz diversas referências ao Concílio Vaticano II, aos textos da Conferência Episcopal dos Bispos da América Latina e do Caribe (CELAM) e, como confirmou o próprio Papa, à Encíclica Laudato Si.

A evocação de uma Igreja ministerial clama a urgência de promover e conferir “ministérios para homens e mulheres de forma equitativa […] promovendo a ministerialidade e, sobretudo, a consciência da dignidade batismal”. O documento sugere que o bispo local possa conferir um “ministério em representação da comunidade cristã com um mandato oficial mediante um ato ritual”. Dessa forma, o Sínodo prevê um ministério por período determinado para celebrar a palavra e a eucaristia em lugares sem a presença de sacerdotes.

Ao final do documento, os padres sinodais sugerem um caminho percorrido pelas Igrejas Sui Iuris. Essas Igrejas, como as Bizantinas, Gregas e de outros Ritos, possuem algumas características na hierarquia e nos rituais litúrgicos algumas diferenças entre a Igreja Católica Romana, mas estão em total comunhão com o Papa. Dessa forma, pode abrir o precedente de um ministério para leigos e leigas sem estendê-lo a todo o mundo. É possível pensar em uma “Igreja Católica do Rito Indígena-Amazônico” (sugestão deste autor), com apropriações da teologia e experiências místicas da região sem quebrar a unidade.

A necessidade de criar o ministério é apontada na centralidade da eucaristia na vida da Igreja. O texto se refere ao sacramento eucarístico como “fonte e cume de comunhão sinodal”.

Ao reconhecer “a necessidade de fortalecer e ampliar os espaços para a participação do laicato”, o Sínodo parece segurar as expectativas dos diáconos permanentes e dos religiosos e religiosas na região. O documento final destaca a importância da formação de diáconos e da valorização da atuação dos religiosos, mas não abriu a possibilidade para o exercício do sacerdócio a nenhum desses grupos.

O texto fala sobre os crimes cometidos nos dias atuais e no passado. Pede à Igreja que corrija sua postura histórica de alianças com os poderosos para “exercer com transparência sua atividade profética”. O documento pede: “Estar presente, respeitar e reconhecer seus valores [dos povos da Amazônia], viver e praticar a inculturação e a interculturalidade em nosso anúncio da Boa Nova”.

Para dar sustentação e apoio a todas as modificações sugeridas, o Sínodo propõe algumas estruturas. A criação de uma rede escolar com valorização da cultura indígena, centros de investigação e pastoral da Igreja, observatório socioambiental e pastoral, seminários, universidades e, em especial, um Organismo Eclesial Pós-Sinodal.

As expressões marcantes do pontificado de Francisco estão em todo o texto. São sinais de uma continuidade do pensamento de Bergoglio e de sua primeira encíclica. O documento sugere a definição de pecado ecológico e clama por uma Igreja em saída, missionária, misericordiosa, samaritana e em diálogo.

Para sustentar as proposições, o documento do Sínodo Pan-Amazônico apela para a sinodalidade de toda a Igreja. Evoca os encontros e concílios dos primeiros cristãos e o Concílio Ecumênico Vaticano II.

O importante a se dizer neste momento é que o Documento Final é um texto assinado pelos padres sinodais, não pode ser considerado a palavra final do Papa Francisco. Para isso, o Pontífice deverá escrever uma Exortação Apostólica Pós-Sínodo com base no texto final do encontro, mas sem a obrigação de acatar as determinações do encontro. No entanto, Francisco é um dos entusiastas da colegialidade episcopal e o responsável pela convocação dos padres sinodais para refletirem sobre a Amazônia.


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