Pode me Chamar de Francisco e Dois Papas

Duas obras aclamadas pela crítica, Dois Papas e Pode me Chamar de Francisco, focam em dois períodos distintos da vida de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Disponibilizadas no Brasil pela Netflix, tanto o filme quanto a série abordam o período de discernimento vocacional do jovem argentino e sua passagem como superior provincial dos Jesuítas. Este texto é um comparativo entre as duas narrativas e a história do atual Pontífice.

Juventude e vocação de Bergoglio
A profissão de químico em um laboratório, as dúvidas e o discernimento vocacional, o namoro e a amiga Esther Ballestrino são abordados nos dois produtos da Netflix. Enquanto Pode me Chamar de Francisco destacou a oração e o diálogo com Deus na decisão pelo sacerdócio do jovem Jorge Bergoglio, Dois Papas preferiu a confissão. Dois fatos verídicos e comprovados pelo próprio Papa em entrevistas.

Fatos inusitados, responsáveis por enriquecer uma narrativa, são trunfos tanto na série como no filme. Bergoglio teve uma namorada e era técnico em química. Foi no laboratório que conheceu uma de suas grandes amigas e uma personagem central em Pode me Chamar de Francisco: Esther Ballestrino, sua chefe, conselheira, perseguida e morta na ditadura argentina.

Provincial dos Jesuítas e ditadura
O período mais tratado na série Pode me Chamar de Francisco também aparece em Dois Papas. A ditadura militar argentina e o cargo de superior provincial dos Jesuítas dado a Bergoglio no início de seu sacerdócio. A história de Yorio e Jalics se destaca nas duas películas.

Esse período é o mais controverso da biografia do Papa Francisco e também no filme. Na Argentina, por muitos anos ficou uma dúvida se Jorge Bergoglio contribuiu com os militares. E na película dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, a dúvida parece continuar. Mesmo com a negativa de Bento XVI, os fatos apresentados em ordem desconexa complicam a compreensão do espectador. Como é apresentado em Pode me Chamar de Francisco, o futuro Papa só se aproxima dos militares para resgatar seus padres. Em Dois Papas, aparece um Bergoglio em busca do almirante Massera antes mesmo das perseguições, o que não é real.

O que a série negligencia e o filme trata com fidelidade é a rigidez de Bergoglio como superior. As ordens dos seminaristas e padres utilizarem batina, como uma forma de proteção diante dos ataques, a queima de livros de esquerda também como medida de cautela e a dura ordem para os sacerdotes saírem da favela são alguns elementos evidenciados.

Em resumo
Como fidelidade à história, Pode me Chamar de Francisco é uma obra extraordinária. Assim também como uma película com mais ação e envolvimento. Já o roteiro e cuidado com os detalhes, Dois Papas está em vantagem. O filme também é mais aclamado pela crítica. As duas obras são interessantes e instigantes, valem a pena!

Este texto encerra uma série de textos sobre a série Pode me Chamar de Francisco. Em 2019, 12 publicações trataram de uma infinidade de assuntos ligados ao Papa e à série. Acesse a tag e descubra mais.


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