Os gestos proféticos de Francisco em meio à pandemia de coronavírus

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, transcende o encargo de ser o Sumo Pontífice na Terra. A sua existência e atitude diante da pandemia de coronavírus COVID-19 colocam-no como um verdadeiro sinal divino na história da salvação humana. Seus gestos solitários, sua voz a clamar e denunciar, sua piedade em favor dos que sofrem são gestos de um profetismo encarnado nos dias atuais.

Um profeta entre as nações, situado em uma Itália devastada pelas mortes consequentes de uma negligência das autoridades. São quase 13 mil italianos mortos nesta quarta-feira (1º de abril), vítimas de um vírus sem cura. Francisco é a voz mundial de um líder religioso que remou contra a maré do fanatismo neopentecostal ao fechar igrejas, santuários e o próprio Vaticano. O Papa é também a voz de um Chefe de Estado a clamar entre as nações que se preze pela vida e não pelo lucro. Francisco chamou de genocídio a escolha da economia em detrimento da saúde.

O Santo Padre compreendeu os sinais dos tempos. Assim como o povo de Israel muitas vezes sofreu por pragas e enfermidades, a história da humanidade é marcada por períodos de tempestade, como classificou o Papa. Mesmo entendendo a necessidade dos fiéis católicos, Francisco enfrentou até a resistência interna no Vaticano para restringir as atividades religiosas, sem deixar em nenhum momento de animar e alimentar a fé dos fiéis.

Seu caminhar pelas ruas e suas manifestações públicas são simbólicas. Nas imagens, um discurso forte sobre o isolamento social em tempos pandêmicos, mas de um fortalecimento da irmandade cristã e incentivo para as práticas de fé e piedade. Nas palavras uma serenidade de quem confia em Deus, um respeito pela dor individual e coletiva e uma firmeza de quem testemunha. No gesto de um homem de 83 anos com menos da metade da capacidade pulmonar está a doação de uma vida. Vítima de um acidente em um laboratório de química que lhe corroeu os pulmões e idoso, Bergoglio é o que chamamos de grupo de risco. Mas seu caminhar não é uma teimosia senil e sim um ícone de devoção e respeito à vontade das autoridades. O Santo Padre não levou comitivas, nem organizou procissões. Peregrinou sozinho.

Do epicentro mundial da devastação do coronavírus, a voz serena de Francisco ecoa em favor dos doentes, dos idosos, dos pobres. De todas as nossas pobrezas ressaltadas pelas condições singulares de nossa convivência. O Papa aponta para a vida, para a certeza da ressurreição de Jesus nesta Páscoa que será extremamente singular para todos.

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