Opositor público do Papa Francisco, Steve Bannon, é preso nos EUA

Preso na última quinta-feira (20), Steve Bannon é conhecido como ex-assessor da Casa Branca e de Donald Trump, mas desde sua demissão do cargo em 2017 sua principal ocupação é o Instituto Dignidade Humana. Com sede no sul da Itália, o órgão reúne os opositores do Papa Francisco e oferece cursos para conservadores em todo o mundo.

Bannon foi preso em Nova Iorque acusado de fraudar uma campanha para a construção de um muro entre México e Estados Unidos. No mesmo dia, foi liberado sob a fiança de cinco milhões de dólares. A construção do muro foi uma das grandes promessas da campanha presidencial de Trump e é também uma das mais frequentes críticas de Francisco. Defensor das migrações, o papa argentino utiliza sempre a analogia da construção de pontes entre os povos e religiões ao invés de muros.

Opositor de Francisco
Como já apontado pelo Olhar Vaticano, Steve Bannon é um dos maiores opositores públicos do Papa Francisco. (Leia Reforma da Cúria se aproxima e grupos conservadores contra-atacam e Igreja aguarda reforma da Cúria e Papa age com cautela) Acusado de influenciar as eleições nos EUA com a distribuição de fake news, muitos acreditam que Bannon utilize as mesmas técnicas contra o primeiro papa latino-americano da história da Igreja.

A prisão do ex-assessor da Casa Branca é mais um duro golpe na desarticulada (porém forte) oposição ao Papa Francisco. No ano passado, os cardeais Raymond Burke e Renato Martino deixaram a presidência do instituto Dignatis Humanae por divergências com Bannon. Sua excursão pela Europa para fortalecer as campanhas de direita no continente foi fracassada e a pandemia do Coronavírus fortaleceu a imagem pública de Francisco. Além disso, o imóvel escolhido pelos conservadores para sediar o instituto na cidade Trisulti, um mosteiro de 800 anos, está com o arrendamento em disputa judicial na Itália. Bannon venceu na primeira instância, mas o Ministério da Cultura italiano promete recorrer.

Saiba mais sobre a acusação de fraude
O Departamento de Justiça dos EUA investigou a relação de Steve Bannon com a campanha para a construção do muro na fronteira com o México. Em 2017, ‘We Built That Wal” arrecadou 25 milhões de dólares, dos quais ao menos um milhão teria ficado com o guru de Donald Trump.

Acusado de fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, Bannon está em liberdade, mas teve suas viagens restringidas entre Nova Iorque e Washington. Além dele, também foram acusados Brian Kolfage, Andrew Badolato e Timothy Shea. Além das ligações com Trump e conservadores europeus, Steve Bannon tem ligações com a família Bolsonaro, em especial o presidente Jair e seu filho Flávio.

Autor: Thiago Caminada

Jornalista, Mestre em Jornalismo (UFSC). Coordenador do "Olhar Vaticano". Assessor de comunicação, servidor público de carreira.

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